Varejistas cortam investimentos em 20%

23/08/2014 08:15

As grandes redes varejistas reduziram seus investimentos neste ano. Levantamento feito pelo jornal Valor Econômico, com base nos balanços de 17 varejistas e grupos de shopping centers, mostrou investimentos totais de R$ 2,54 bilhões de janeiro a junho. Esse montante indica uma queda de 20,1% na comparação com igual período do ano passado. Entre as empresas analisadas, dez cortaram investimentos e sete ampliaram.

Na lista daquelas que gastaram mais estão B2W, International Meal Company (IMC), Lojas Americanas, Marisa, Profarma, Raia Drogasil e Renner. Reduziram desembolsos Aliansce, Brasil Pharma, BRMalls, Grupo Pão de Açúcar, Iguatemi, Magazine Luiza, Multiplan, Restoque, Riachuelo e Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio).

"Existe uma freada de investimentos no varejo porque as expectativas no mercado de consumo a curto e médio prazo não são boas. A dúvida é saber quanto tempo as empresas vão segurar os recursos, e se isso afeta o segundo semestre", afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo). Diz que "o financiamento para expansão do varejo encareceu com a alta dos custos de ocupação, como terreno e mão de obra, e do aumento da taxa Selic. Isso explica, em parte, porque os investimentos estão menores".

Definição de planos para uso mais "eficiente" dos recursos – ou seja, fazer mais gastando o mesmo ou menos do que no ano anterior – e transferência de inaugurações para o segundo semestre (quando será possível sentir melhor o pulso da economia) ajudam a explicar a retração dos investimentos. Corte de gastos por parte de empresas em reestruturação e o fim de ciclos de investimentos iniciados anos atrás também compõe esse cenário, segundo relatos recentes das empresas a analistas e investidores.

"Estamos mais focados em 'otimizar' capital e planejamos abrir mais lojas e investir menos por metro quadrado", disse a analistas em julho, Ronaldo Iabrudi, presidente do Grupo Pão de Açúcar, que na área alimentar desembolsou 40% menos neste ano, até junho. O grupo planeja abrir mais pontos neste ano do que em 2013, mas anunciou o mesmo teto de investimentos do ano passado (até R$ 2 bilhões) porque abrirá maior número de minisupermercados, que exigem menos recursos.

 

Fonte: Redação SM