Ritmo de admissões no varejo recua no Rio Grande do Sul

23/08/2014 08:40

O número de desligamentos de trabalhadores do comércio varejista do Rio Grande do Sul foi maior do que o de admissões no decorrer do primeiro semestre de 2014. Neste período, o saldo foi negativo em 1,9 mil profissionais no setor. Somente em janeiro, ocorreram 5 mil demissões, por conta do encerramento de contratos temporários vinculados ao período de vendas para o Natal de 2013.

Segundo o economista da Fecomércio-RS, Lucas Schifino, destituições ocorridas nos meses de janeiro e fevereiro já eram esperadas, por conta das vagas abertas no final do ano anterior. No entanto, a sazonalidade natural do período não foi o único fator que contribuiu para o resultado do semestre. A geração de emprego neste segmento tem desacelerado visivelmente, nos últimos quatro anos, acompanhando o fraco crescimento de vendas.

“À medida que o empresário vê as vendas estagnarem, ele começa a deixar de contratar”, simplifica Vilson Noer, presidente da AGV (Associação Gaúcha do Varejo), lembrando que o ciclo de crescimento de quatro anos atrás vem se “esvaziando” desde 2012.

No acumulado do ano, o segmento ainda não entrou no vermelho, com saldo de 17 mil empregos criados desde julho de 2013. “Estes quase 2 mil profissionais a menos de janeiro a julho são o resultado de um ritmo mais lento de contratações”, define Schifino, pontuando que junto com a taxa de desemprego, que se mantém em baixa, também a disponibilidade de mão de obra diminuiu. “Está mais difícil contratar, com menos gente qualificada para salário compatíveis com as vendas, que têm tido um crescimento moderado.”

De acordo com a estatística do Dieese-RS, Ana Paula Sperotto, há, de fato, menos interesse por parte da população economicamente ativa em permanecer neste segmento. “Ao fazer uma análise pontual do mês de junho, comparado com o mesmo período do ano passado, a redução da taxa de desemprego foi acompanhada da saída de pessoas do mercado de trabalho, que por alguma razão não se sentiram estimuladas a permanecer na atividade”, sinaliza Ana Paula, que é uma das coordenadoras da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Região Metropolitana de Porto Alegre.

 

Fonte: Jornal do Comércio RS