Perdigão é relançada como marca popular e briga com Seara

21/01/2015 14:38

Após quase quatro anos, a Perdigão está voltando à mídia e às gôndolas com novos produtos e uma missão clara: ser uma marca popular e com preços competitivos para tentar conter o avanço da Seara.

O período de “hibernação” foi uma das condições impostas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para dar aval à fusão da Sadia e Perdigão. As marcas concentravam, juntas, 70% do mercado em diversas categorias. A participação da Seara, que era então o braço de varejo do frigorífico Marfrig, girava em torno de 7%. A BRF foi obrigada a retirar uma de suas marcas – a Perdigão – de categorias importantes, para que a concorrência pudesse ganhar espaço e, desde então, o cenário mudou.

A Seara, além de ter sido repassada para as mãos de um grupo de alimentos com poder de investimento – em 2012, a JBS assumiu R$ 5,85 bilhões em dívidas para ficar com a operação de varejo do Marfrig –, ficou também mais presente na mídia, com uma campanha estrelada pela apresentadora Fátima Bernardes.

Assim, em algumas categorias de produtos, a Seara viu sua fatia de mercado praticamente triplicar e chegar perto de 20%. Além disso, após a decisão do Cade, a marca que hoje pertence à JBS ampliou seu portfólio com submarcas que pertenciam à Perdigão, como o Texas Burger (hambúrgueres) e o Fiesta (de aves natalinas).

A Perdigão foi deixada de lado nos últimos anos porque a BRF precisava investir pesado na Sadia para proteger mercado. No segmento de pizzas congeladas, para o qual a Perdigão só poderá voltar em 2017, a Sadia se manteve líder isolada, com 50,8% de participação. A Seara, apesar de todo o crescimento recente, está bem atrás, com 19,7%.

Como “segunda marca”, a Perdigão pode ajudar a BRF a reconquistar fatias de mercado disputando com a Seara no fator preço. Em julho, a Perdigão vai voltar para categorias em que já foi líder no passado, como linguiça calabresa. A marca também estará mais visível neste ano, prova disso é o investimento em cota de patrocínio do Big Brother Brasil, da TV Globo, que o mercado publicitário especula girar em torno de R$ 28,9 milhões, apesar de a Sadia ser a marca principal da BRF.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo