O que esperar do Governo Michel Temer

20/05/2016 08:28

No dia doze de maio, o Brasil amanheceu com um novo presidente da República, mas o empossamento de uma nova liderança sempre traz perguntas sobre o que esperar.

O Portal SM ouviu especialistas em varejo e economia sobre os rumos político-econômicos do País. As opiniões divergem. Há quem acredite que, a partir de agora, os investimentos – que estavam represados – poderão sair do papel, estimulando o consumo. Outros defendem que a situação, no curto prazo, pode ficar pior, pois as mudanças estruturais não dependem apenas da dança das cadeiras. Todos, porém, demonstram uma pitada de otimismo com cautela. 

Confira o que os especialistas têm a dizer:

“É uma oportunidade de ouro para sair desta 'arapuca' que estávamos vivendo”
Ari Kertesz, sócio da consultoria McKinsey

“Neste novo cenário político-econômico, será importante para o brasileiro reconquistar a confiança de que o Brasil vai dar certo. As expectativas são muito boas. Há muito consumo e investimentos que estão sendo represados. As pessoas estavam muito pessimistas e desconfiadas. Precisamos aproveitar esse ganho de confiança para andar para frente. Com a retomada da economia muda o jogo. As pessoas vão se sentir mais confortáveis para investir e consumir. Elas desejavam isso e estavam preparadas, mas não faziam por desconfiança do Governo. Num curto prazo, creio que as coisas comecem a melhorar. No início, deverá haver uma retomada forte porque estava tudo reprimido. Depois, dependerá do que o Temer irá fazer com a economia. Essa força de mobilização deve ser usada bem e rapidamente. É uma oportunidade de ouro para sair desta arapuca que estávamos vivendo”.

“Tudo é uma incógnita, estamos sob a égide de um governo tampão”
Silvio Laban, professor do Insper

“Esse Governo é uma preparação para o médio e longo prazo. A curto prazo não muda nada até porque estamos lidando com uma situação bastante delicada, com muitas questões para serem resolvidas. Elas passam pelas contas públicas, emprego, confiança do empresário e do consumidor. Houve impactos dramáticos nas empresas e nos consumidores. Não é porque uma pessoa saiu e entrou outra que as coisas vão mudar rapidamente. Há possibilidade de, num primeiro momento, a situação ficar até pior do que já está. Tudo é uma incógnita, estamos sob a égide de um governo tampão. Dentro de no máximo 180 dias poderemos dizer se o governo Temer vai seguir. Há de se considerar reformas sérias e complexas, como a previdenciária, política e trabalhista. Gostaria de ver uma reforma trabalhista que garantisse benefícios a todos. Pensando positivamente, o Governo atual tem de ser arrojado e atacar os problemas estruturais. Caso contrário, teremos mais do mesmo.  Essa não é a primeira crise que os varejistas passam. Quantas mais serão necessárias para ele refletir como se deve operar no dia a dia e estar melhor preparado para momentos como esses? Muitos se empolgaram lá atrás com o crescimento do País e do poder de compra da classe C e acabaram investindo muito em expansão. Não é errado expandir, mas cada um tem de fazer uma autocrítica e autorreflexão sobre as decisões tomadas. Na vida real, a ideia de expansão faz com que se deixe de olhar para dentro. É necessário pensar como melhorar produtividade e eficiência dentro do negócio. Mas tudo é aprendizado”.

“Estamos diante da possibilidade de um estancamento da sangria do mercado de trabalho, haverá redução de demissões”
Vitor França, economista da FecomercioSP

“Sem a mudança de Governo, a coisa não saía do lugar. Não havia expectativa de soluções. Os empresários adiavam investimentos e o consumidor deixava de comprar bens duráveis, que comprometem a renda a longo prazo. O varejo alimentar é menos afetado, pois as pessoas não deixam de adquirir alimentos. Mas, mesmo assim, o cenário era muito incerto. Num primeiro momento, o novo Governo gera um ânimo no empresariado, que fica mais otimista e pode alimentar um novo ciclo na economia. Estamos diante da possibilidade de um estancamento da sangria no mercado de trabalho. A expectativa é otimista e haverá redução no processo de demissão. Tudo leva a crer que a inflação dará sinais de queda, abrirá espaço para redução de juros, e isso pode favorecer o varejo. A crise ainda é muito grave e não se resolve do dia para a noite. Mas o novo governo dá sinais positivos.”

“É necessário dar segurança jurídica e política para aumentar a confiança do consumidor”

Roberto Koga, conselheiro do Coreconsp (Conselho Regional de Economia)

“Temos um quadro recessivo, que aumentou o número de desempregados, o que levou à queda no nível de renda. Como o governo será provisório, o mercado ficará no compasso de espera para novos investimentos. É difícil falar de longo prazo. Diante do quadro recessivo, a primeira coisa a se fazer é dar segurança jurídica e política para aumentar a confiança dos consumidores. Este é o cerne da questão toda."

 

Fonte: Portal SM, por Adriana Silvestrini