Makro tenta acertar o passo, pressionado pelos rivais

10/03/2012 11:17

Desde 2007, a rede de atacado procura encontrar o seu caminho no Brasil. De lá pra cá, a empresa já teve quatro presidentes - cada um tomando caminhos diferentes de gestão, sem dar continuidade às administrações anteriores.

 

 

Um exemplo disso são os postos de combustíveis. Rubens Batista, principal executivo da companhia em 2009, sonhava com uma expansão agressiva para estes estabelecimentos. Até o final daquele ano, deveriam ser abertos mais 10 unidades, formando uma rede de 36 postos.

Hoje, na gestão de Roger Laughlin, são apenas 32. Antes de Batista, Luiz Antônico Viana, ex-Pão de Açúcar, tentou trazer o Makro o mais próximo possível do modelo de atacarejo - modelo que mistura atacado com varejo. A ideia foi rejeitada pelos acionistas e o executivo permaneceu apenas um ano no cargo. Com Laughlin, a estratégia vai na contramão do mercado. O Makro quer fugir do varejo para se firmar como rede que atende pequenos empreendedores, afastando o consumidor final. Enquanto isso, Atacadão e Assaí, os principais concorrentes, mergulham no atacarejo e conseguem passar a perna na companhia holandesa. Nos últimos cinco anos, o Atacadão saltou de 37 lojas para 92 e o Assaí fez 46 inaugurações, chegando a 60 pontos de venda. Já o Makro partiu de 56 unidades e hoje opera 76.

O adiamento da expansão se refletiu nos resultados de 2011, que será divulgado nos próximos dias. A empresa não adiantou os números, mas informou que a receita deve ficar próxima aos R$ 5,5 bilhões registrados em 2010. Mas não é só de uma gestão para outra que o Makro desvia seus planos. Em 2010, quando assumiu a presidência, Laughlin acreditou que fosse possível crescer por aquisições. Porém, até agora nenhuma negociação foi fechada. Além disso, o atacadista passou 2011 inteiro sem inaugurações. “O Makro precisa de atenção durante um período. Temos que estar preparados para crescer”, afirmou o executivo.

Nos últimos dois anos foram investidos R$ 200 milhões em reformas de lojas. Em 2012 serão desembolsados mais R$ 132 milhões. Neste montante, além das revitalizações, está prevista a inauguração de três postos nos próximos dois meses. A mudança do centro de distribuição da empresa também reflete os prejuízos de tantas mudanças na presidência. Inaugurado em 2010, o depósito de Taboão da Serra (SP) ficou pouco tempo em operação por ser considerado pequeno. Agora, o Makro concentra suas mercadorias em um espaço de 32 mil metros quadrados, quatro vezes o tamanho do imóvel anterior. “As trocas de presidente atrapalharam. Confundiram clientes e funcionários”, admite Laughlin.

 

Fonte: Brasil Econômico