Governo quer criar um time de “campeões em orgânicos”

29/03/2012 11:18

 

 

O governo federal vai eleger os 30 grupos de produtores rurais mais avançados, hoje, na agricultura familiar orgânica, para transformá-los em uma "tropa de elite" do segmento, voltados ao atendimento de grandes varejistas nacionais e à exportação.

 

 

 

A construção dessas futuras empresas-âncoras, que vêm sendo tratadas com prioridade, visa não só alcançar as prateleiras mais cobiçadas dos EUA, da Europa e do Japão - tradicionais consumidores desses alimentos -, mas preparar o terreno para a primeira Copa do Mundo orgânica e sustentável, em 2014, a ser anunciada nos próximos meses.

O passo inicial, para montar esse time de ponta orgânico, foi dado em janeiro passado, com a assinatura de um convênio entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) do Paraná para a estruturação das glebas de alto potencial em negócios de fato. Ao longo desses 12 primeiros meses (renováveis), estão previstos investimentos de R$ 3 milhões para um "intensivo" em capacitação no campo, o elo inicial e também o mais fraco da cadeia produtiva de orgânicos.

Há hoje no Brasil 52 empreendimentos de agricultura familiar - cooperativas ou associações, representando 12 mil famílias - computadas pelo MDA que já embarcam produtos ao exterior, ainda que com frequência bastante irregular.

"Nós temos compradores ávidos por orgânicos, mas que não são pessoas que compram em qualquer circunstância. Precisamos qualificar o produtor para chegar à prateleira", diz Arnoldo Campos, diretor de geração de renda e agregação de valor do MDA. "Precisamos criar empreendimentos capazes de acessar mercados. Então, vamos turbinar 30 dos 52, os mais preparados".

De acordo com o último Censo brasileiro, 90 mil produtores rurais afirmaram ser orgânicos no País. Na prática, há muito menos que isso, já que a grande maioria são pequenos agricultores que desconhecem a regulamentação para esse tipo de agricultura e não contam com certificação.

Para Ming Liu, coordenador da Organics Brasil, o braço do IPD que trabalha na promoção dos produtos orgânicos brasileiros no exterior, o planejamento estratégico é essencial, se o Brasil quiser aumentar a sua participação no mercado global, que movimentou no mundo US$ 55 bilhões em 2011. E também para atender a demanda do mercado interno, aquecido pela guinada no poder de compra de uma vasta classe média.

Fonte: Valor Econômico