Dólar tem maior queda em seis meses

28/12/2012 08:10

O dólar fechou na maior baixa em seis meses após o Banco Central surpreender o mercado com dois leilões de swap cambial tradicional, operação que equivale à venda de dólar no mercado futuro,  num intervalo de pouco mais de uma hora logo no início do dia.

Para muitos profissionais, a autoridade aproveitou a baixa liquidez do dia para forçar uma mudança no patamar do câmbio e, assim, aliviar pressões inflacionárias causadas pela alta cotação do dólar. Para alguns, o BC pode não parar por aqui e forçar novas quedas, inclusive para abaixo de R$ 2.

O dólar fechou em queda de 1,35%, a mais forte desde 29 de junho, a R$ 2,050, a menor cotação desde 9 de novembro. Na mínima do dia, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,042. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar futuro para janeiro caía 1,39%, a R$ 2,0500, enquanto o para fevereiro, que passa a ser referência na semana que vem, recuava 1,48%, a R$ 2,0630, antes do ajuste final.

“O câmbio como instrumento de competitividade está dando lugar para câmbio como instrumento para controle de inflação”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB. “O câmbio não está surtindo o efeito esperado na competitividade e ainda está pressionando a inflação.”

Segundo Rostagno, os leilões de hoje pegaram o mercado de surpresa, pois a moeda já estava com tendência de queda na abertura. Com a intervenção, o BC sinaliza que quer o dólar oscilando numa faixa mais abaixo daquela em que estava.

“Com certeza agora a banda é abaixo de R$ 2,05. A tendência agora é que o dólar fique entre R$ 2,02 – pois não acredito que o BC vá deixa-lo cair abaixo de R$ 2 – e o teto passa a ser R$ 2,07”, disse ele. “O nível de R$ 2,05 passa a ser, aproximadamente, um ponto de equilíbrio.”

 

Fonte: Portal Newtrade, via Valor online