Consumidores pesquisam mais antes da compra

26/08/2015 12:37

São Paulo - Os empresários, sobretudo os do ramo de comércio e serviços, devem aumentar a atenção sobre a crescente influência dos buscadores na experiência de compras do consumidor. A conclusão é de uma pesquisa da gigante mundial de busca Google.

O levantamento ouviu cerca de 1.200 pessoas durante os meses de junho e agosto deste ano. Entre as constatações a pesquisa revelou que 74% das pessoas que possuem smartphone utilizam-o dentro de estabelecimentos comerciais, a fim de comparar preços. "Quem busca comprar um produto está checando quatro, cinco vezes o preço dele, para fazer um compra qualificada. Percebemos que esse fenômeno fica ainda mais agudo na realidade de hoje do Brasil", diz o CEO da companhia, Fábio Coelho, durante a divulgação do relatório, em São Paulo.

A prática, que já se mostrou muito recorrente durante a edição de 2014 da Black Friday, explica Coelho, deve se tornar ainda mais comum em 2015 ; na visão do CEO, é apenas dessa forma que os "consumidores com menor capacidade de compra" serão capazes de realizarem bons negócios. Outros dados do site destacaram mais fatores de influência das buscas sobre o ambiente de negócios: 83% dos ouvidos afirmaram lançar mão de mecanismos de geolocalização na experiência de compra. Tal comportamento, segundo o CEO do Google, pode afetar restaurantes e cafés, que são muito dependentes dessa ferramenta.

Já as compras em lojas virtuais através de celulares inteligentes cresceram 74% desde o último levantamento - realizado pelo Google há três anos. Os dados entram em consonância com o apontado pela consultoria Criteo, que estimou que as vendas via canais mobile devem representar 20% do transacionado no comércio eletrônico brasileiro.

No campo da publicidade, 65% dos entrevistados informaram que procuram, no smartphone informações adicionais sobre propagandas que assistiram na televisão.

Por outro lado, o tempo médio de pesquisas realizadas através dos celulares inteligentes caiu 9% frente a última edição do estudo: de 4 minutos e meio para cerca de 4 minutos. "Se a página for ruim ou demorar para carregar, o usuário vai para o desktop", diz Coelho.

Sites amigáveis

Foi pensando em melhorar os resultados apresentados nas pesquisas em smartphones que o Google alterou, há pouco mais de três meses, os algoritmos de pesquisa que determinam quais sites seriam melhor ranqueados nas pesquisas via aplicações móveis.

A nova política da empresa determinou que apenas sites responsivos - ou amigáveis; aqueles cuja navegação é adequada para a visualização na tela reduzida - seriam apresentados em pesquisas que partissem de celulares.

Segundo o levantamento apresentando pelo buscador, a iniciativa começou a dar resultados: o número de empresas envolvidas na construção de sites responsivos aumentou 35%. De acordo com Coelho, o hábito de dar uma importância secundária para a ferramenta está ficando para trás.

"Há um hype [burburinho, em tradução livre] enorme sobre os aplicativos. É justificável, mas nos smartphones não há muito espaço para eles", avaliou o CEO da companhia, destacando as diferenças de utilidade das duas ferramentas no ambiente de negócios: enquanto o site responsivo auxilia a prospecção, um app próprio pode colaborar com a fidelização de uma base de clientes já conquistada.

A declaração foi dada um dia após a matriz da empresa de buscas voltar atrás e desobrigar os fabricantes de smartphones a pré-instalarem alguns aplicativos menos populares do Google em seus aparelhos. A decisão atende uma demanda antiga dos usuários do sistema operacional Android, que relatavam problemas de falta de memória útil nos dispositivos.(Henrique Julião)

Fonte: Jornal DCI, por portal Abras