Brasil Kirin planeja investir R$ 1 bilhão até 2014

05/09/2013 18:52

Se depender da controladora Kirin Holdings e do BNDES, não faltará dinheiro para a subsidiária brasileira prosseguir com seus planos de expansão no País, apesar do consumo de cervejas no País ter perdido fôlego este ano.

A holding japonesa, além de abrir mão da remessa de dividendos do ano passado, está disposta a aportar capital quando necessário para que a Brasil Kirin invista na operação, disse Fábio Marchiori, vice-presidente financeiro da Brasil Kirin e integrante do conselho da Kirin Holdings.

Dona dos rótulos Nova Schin e Devassa, além dos refrigerantes Schin e Itubaína, a Brasil Kirin está, neste ano, fechando contratos - com fornecedores de máquinas, por exemplo -, no valor de R$ 500 milhões para expansão de capacidade e melhoria na automação, sem desembolso imediato de caixa. O valor inclui R$ 50 milhões para construir um parque eólico no Ceará, em parceria com a portuguesa Tecneira.

Para 2014, estão previstos mais R$ 500 milhões, aproximadamente. "Por enquanto, estamos expandindo as fábricas já existentes - não novas unidades", disse.

Ajudará também a honrar os investimentos um crédito de R$ 500 milhões com o BNDES, dos quais já foram sacados R$ 224 milhões.

Mercado

Num ano em que o setor de cervejas não consegue expandir volumes, a Brasil Kirin tem conseguido ganhar uma pequena participação de mercado apostando em nichos extremos: o de cervejas especiais (Baden Baden e Eisenbahn) e de preço baixo (Glacial e No Grau).

Esses dois segmentos cresceram "um dígito alto", em volume, no primeiro semestre. Por sua vez, a categoria "mainstream" - representada pela Nova Schin, principal marca da fabricante -, registra vendas menores do que em 2012.

O fraco desempenho da categoria de preços intermediários também é sentida pelas concorrentes Ambev e Heineken.

Marchiori projeta crescimento entre 5% e 10% em volume este ano, puxado, principalmente, pela categoria de não alcoólicos (água, refrigerante e suco), que representa 40% da receita da Brasil Kirin.

Para cervejas, Marchiori prevê um menor patamar de expansão nos próximos anos. "O grosso da migração da baixa renda para a classe média ficou no passado. O setor precisa reposicionar melhor os produtos para atender o consumidor, que está mais seletivo".

Para Marchiori, os rótulos premium e especiais (ainda mais caros) devem fazer o setor crescer mais rapidamente em valor do que em volume daqui para frente.

 

Fonte: Valor Econômico