2017 poderá ter recuperação nas vendas

23/12/2016 10:13

É o que garante o economista Ricardo Amorim. Mas, independente de um avanço, o varejo não pode descuidar de custos e produtividade.

Após 12 meses complicados, o cenário econômico seguirá desafiador para os supermercados no início de 2017, mas a boa notícia é que a situação tende a melhorar ao longo do ano. Para Ricardo Amorim, CEO da Ricam Consultoria e comentarista do programa de TV Manhattan Connection, a maior dificuldade que o setor encontrará é a taxa de desemprego ainda alta no começo do ano – quadro que deve ser revertido no segundo semestre.

Para Amorim, os sinais de retomada econômica já deveriam se intensificar neste final de ano, algo postergado pela vitória de Donald Trump nos EUA. Um dos efeitos foi a alta do dólar, moeda cujo câmbio vinha em queda desde o início de 2016. Além de encarecer produtos importados, caso sustentada por mais tempo, essa alta pode fazer com que os juros caiam mais lentamente. “Isso é especialmente importante porque a queda de juros deveria ser o principal motor do aumento de consumo no Brasil, do crescimento das empresas e da recuperação do mercado de trabalho”, afirma.

O varejo alimentar é, porém, o primeiro segmento a se recuperar. “Logo que a economia começa a reaquecer, o consumidor volta a adquirir os produtos que tinha cortado. E, num segundo momento, passa a buscar itens e marcas de maior valor”, afirma o economista.

Projeções para a economia

Comparado a este ano, 2017 deverá ser melhor. Um dos indicadores mais favoráveis é a inflação. A projeção é de fechar abaixo de 5%, enquanto em 2016 ficou em 6,58%. Ano passado, a taxa foi de 10,7%

  2016 2017
PIB - 3,4 1,0
Vendas no Varejo - Restrita* - 6,5 1,0
Massa Salarial - 4,3 1,3
Rendimento Médio Real - IBGE   - 2,5 1,0
Inflação IPCA 6,8 4,7

Fonte: Equipe Econômica do Bradesco/Economia em Dia, atualizado em 04/11/2016 - *Exclui veículos, motos, peças e material de construção 

 

No cenário nacional, mudanças propostas pelo governo devem trazer bons efeitos. Uma dessas ações é a polêmica redução dos gastos públicos. Há receio de que, com o governo colocando menos dinheiro na economia, ocorra impacto negativo no consumo, principalmente por conta de medidas como menor reajuste do salário mínimo, redução do número de funcionários públicos e menor remuneração desses servidores. A preocupação tem suas razões. Ricardo Amorim lembra, porém, a expectativa de que essas medidas signifiquem a recuperação da confiança no Brasil, o que elevará os investimentos por parte das empresas. O raciocínio é simples: empresas ampliando investimentos contratam mais, o que leva a uma melhora no mercado de trabalho e, por consequência, a maior consumo. Além disso, uma possível redução no déficit público – ocasionada pela diminuição nos gastos do governo – leva à queda da taxa de juros, uma vez que, ao tomar menos dinheiro emprestado, o governo não compete tanto com empresas e pessoas físicas que precisam de crédito. “O resultado líquido disso provavelmente será positivo para os supermercados”, acredita Ricardo Amorim.

Benéfica também deve ser a reforma trabalhista, ainda em discussão. Um dos tópicos principais, a flexibilização da jornada, pode ajudar a otimizar os recursos das empresas, resultando em redução de custos. Outro ponto importante, conforme destaca o CEO da Ricam Consultoria, é a possível desoneração da folha de pagamento. “Pode fazer com que as empresas contratem mais, o que melhora a atividade econômica para todos”, afirma Amorim.

 

Fonte: Redação SM, por Fernando Sales